19/11/2017

Divagações #1: Song to the Siren

A primeira vez que ouvi "Song to the Siren" não foi na sua versão original, mas na lançada pelo grupo This Mortal Coil em Setembro de 1983, versão esta que teve um êxito assinável um pouco por todo o lado, incluindo Portugal, neste caso com a contribuição inestimável de António Sérgio (1950-2009), um extraordinário locutor de rádio prematuramente desaparecido e mais rápida e injustamente esquecido.

O autor desta canção foi o norte-americano Tim Buckley (1947-1975), tendo-a escrito em 1967 mas apenas registado em disco 3 anos depois. Tim Buckley faleceu muito novo, por overdose de heroína quando contava apenas 28 anos de idade. Uma tragédia que se repetiu na família poucos anos depois, quando o seu filho Jeff Buckley (1966-1997), igualmente músico, morreu afogado no rio Mississipi, não tendo chegado a completar 31 anos de vida.

Song to the Siren tem tido várias e fantásticas versões ao longo do tempo, as que incluo aqui são aquelas que mais aprecio.

Long afloat on shipless oceans
I did all my best to smile
'Til your singing eyes and fingers
Drew me loving to your isle
And you sang
Sail to me
Sail to me
Let me enfold you
Here I am
Here I am
Waiting to hold you
Did I dream you dreamed about me?
Were you here when I was forced out
Now my foolish boat is leaning
Broken lovelorn on your rocks
For you sing, "Touch me not, touch me not, come back tomorrow
Oh my heart, Oh my heart shies from the sorrow"
Well I'm as puzzled as the newborn child
I'm as riddled as the tide
Should I stand amid the breakers?
Or should I lie with death, my bride?
Hear me sing, "Swim to me, swim to me, let me enfold you
Here I am, here I am, waiting to hold you"



12/11/2017

Poemas Sinfónicos #8: In the Steppes of Central Asia, de Alexander Borodin

Um dos objectivos do czar Alexandre II (1818-1881) foi o de aumentar o território russo, expandindo-o para a Sibéria e para o Cáucaso, território russo que tinha anteriormente mingado quando vendeu o Alasca aos Estados Unidos. Em 1880, ano em que se assinalariam os 25 anos do reinado do imperador, foi lançada a ideia de organizar um festival para celebrar condignamente os feitos de Alexandre II. Para o efeito foram contactados 12 compositores russos para comporem a música para as várias cenas dos dramas que seriam apresentados, só que bem antes do festival começar já os dois produtores responsáveis (??) tinham desaparecido.

Aparentemente dos 12 compositores apenas um, Alexander Borodin (1833-1887), acabou por aparecer com uma obra, o poema sinfónico In the Steppes of Central Asia que, mesmo sem festival algum, acabaria por ser estreada passado pouco tempo, no dia 20 de Abril de 1880. Curioso é o facto de o único compositor a chegar-se à frente ter sido aquele que menos se dedicava à composição: apesar de pertencer ao afamado grupo de compositores russos "Os Cinco", Borodin era, antes de mais, médico e químico, dedicando-se à composição apenas nos tempos livres.

Alexander Borodin nasceu há 184 anos, no dia 12 de Novembro de 1833.


CDs



Alexander Borodin
Symphony No.2 in B minor. In the Steppes of Central Asia.
Prince Igor - Overture; Polovtsian Dances.
Royal Philharmonic Orchestra
Ole Schmidt
Regis Records RRC1215

Alexander Borodin
Symphonies - No.1 in E flat; No.2 in B minor. In the steppes of Central Asia.
Royal Philharmonic Orchestra
Vladimir Ashkenazy
Decca 436 651-2

Mili Balakirev
Islamey (arr. Lyapunov).
Alexander Borodin
In the Steppes of Central Asia.
Nikolai Rimsky-Korsakov
Scheherazade, op.35.
Kirov Orchestra
Valery Gergiev
Philips 470 840-2


Internet



Alexander Borodin
Classical Net / Casa da Música / Wikipedia


05/11/2017

Pianistas #52: Vladimir Horowitz (1903-1989)

Os dotes pianísticos de Vladimir Horowitz ficaram evidentes desde muito cedo, ao ponto de, quando tinha apenas 10 anos de idade, ter sido apresentado ao compositor e pianista Alexander Scriabin (1871-1915), que reconheceu de imediato estar perante um grande talento.

Depois de ter passado os primeiros anos da década de 1920 em digressão pela Rússia, Horowitz decidiu experimentar outros ares e, em Dezembro de 1925, rumou ao Ocidente, com paragens em Berlim, Paris e Londres, até assentar arraiais em Nova Iorque.

A estreia em solo americano deu-se no Carnegie Hall, em Nova Iorque, no dia 12 de Janeiro de 1928. A acompanhar Horowitz no Concerto para Piano Nº1 de Piotr Ilyich Tchaikovsky (1840-1893) esteve a Orquestra Filarmónica de Nova Iorque, sob a direcção de Thomas Beecham (1879-1961). Apesar das divergências entre pianista e maestro, o concerto registou um sucesso estrondoso, tendo ficado evidente a extraordinária empatia que o pianista conseguia estabelecer com a audiência.

Vladimir Horowitz faleceu há 28 anos, no dia 5 de Novembro de 1989.


CD



'Vladimir Horowitz Live at Carnegie Hall'.
incl. Piotr Ilyich Tchaikovsky
Piano Concerto No.1 in B flat minor, Op.23.
Vladimir Horowitz (piano), Mstislav Rostropovich (violoncelo),
Yehudi Menuhin, Isaac Stern (violinos)
NBC Symphony Orchestra, Arturo Toscanini
New York Philharmonic Orchestra, Leonard Bernstein, Eugene Ormandy
Oratorio Society of New York, Lyndon Woodside
RCA 88765 48417-2


Internet



Vladimir Horowitz
The New York Times / Biography.com / Bach Cantatas Website / Wikipedia

29/10/2017

Guitarristas #2: Roland Dyens (1955-2016)

Apesar de ter nascido na Tunísia, o guitarrista, compositor e arranjador Roland Dyens viveu quase sempre em Paris, cidade onde também foi professor no respetivo Conservatório. Falecido (precocemente) faz hoje um ano, nunca foi aquilo a que se pode chamar um guitarrista clássico convencional, como bem atestam as suas sessões de improvisação e as frequentes incursões nos domínios do jazz.

Robert Bouchet (1898-1986) foi um pintor com um gosto especial por tocar guitarra e, terá porventura pensado, por que não construir as suas próprias guitarras? Como este não era o seu principal negócio, poucas guitarras construiu, apenas um total de 156, e menos vendeu, dado ter ficado com uma boa parte delas. A guitarra que Roland Dyens toca em todos os vídeos abaixo incluídos é uma das feitas por Bouchet, mas não é uma qualquer: foi a segunda que fez e a primeira que vendeu.


CD



Joaquin Rodrigo
Concierto de Aranjuez.
Roland Dyens
Concerto Métis. Tango en skaï.
Roland Dyens (guitarra)
Serenata Orchestra
Alexandre Siranossian
L'Empreinte Digitale ED13191


Internet



Roland Dyens
Roland Dyens / Classical Guitar / Wikipedia

22/10/2017

Compositores #128: Louis Spohr (1784-1859)

Louis Spohr foi um compositor contemporâneo do seu compatriota alemão Ludwig van Beethoven (1770-1827), e chegaram mesmo a tocar juntos em casa de Beethoven, quando este dava os últimos retoques no seu Trio para Piano, Op.70 No.1, constando que Spohr não terá ficado demasiadamente deslumbrado com essa obra...

Compositor prolífico, com perto de 300 obras conhecidas das quais cerca de 150 com número opus, foi para o violino, o seu instrumento de formação, que mais compôs, destacando-se os 18 concertos que escreveu para esse instrumento. Compôs também 4 concertos para clarinete, um instrumento para onde temos estado virados nos últimos tempos e que hoje aqui regressa. O primeiro desses foi escrito no Outono de 1808 e estreado no dia 16 de Junho do ano seguinte, com o compositor a dirigir a orquestra e com Johann Simon Hermstedt (1778-1846) no clarinete. Hermstedt que foi o dedicatário de todos os concertos para clarinete de Spohr.

Note-se, por curiosidade que, num vídeo exibido mais abaixo onde concerto é interpretado pelo clarinetista Aron Chiesa, a Orquestra Filarmónica de Bruxelas é dirigida pelo clarinetista e maestro português António Saiote (1960-)

Louis Spohr faleceu no dia 22 de Outubro de 1859, passam hoje 158 anos.


CD



'Louis Spohr: The Forgotten Master'.
Louis Spohr
Clarinet Concertos - No.1 in C minor, Op.26; No.2 in E flat major, Op.57;
No.3 in F minor, WoO19; No.4 in E minor, WoO20.
Paul Meyer (clarinete)
Lausanne Chamber Orchestra
Paul Meyer
Alpha ALPHA605
(2012)


Internet




Louis Spohr
allmusic / naxos / Wikipedia

15/10/2017

Quartetos de Cordas #15: Quarteto de Cordas Nº3, de Conlon Nancarrow

Um dos grandes objectivos daqueles que são atualmente responsáveis (?!) pelos destinos dos Estados Unidos consiste em construir um muro na fronteira entre aquele país e o México, que impeça os mexicanos de a atravessarem ilegalmente na procura de uma vida melhor. Não sei se com tal obra se procura obter igualmente o efeito inverso, impedindo os americanos de se mudarem para o vizinho do sul. Se calhar nunca tal lhes passou pela cabeça, que alguém algum dia se lembrasse de trocar os Estados Unidos pelo México, mas foi isso precisamente o que fez o compositor Conlon Nancarrow (1912-1997). Fê-lo há muito tempo, em 1940, e por razões bastante particulares, relacionadas com a sua filiação partidária e a participação na Guerra Civil espanhola, mas fê-lo, ao ponto de ter inclusivamente assumido a cidadania mexicana em 1956.

A obra de Nancarrow que aqui trago hoje, o seu Quarteto de Cordas Nº3, é uma obra tardia, escrita em 1987 e estreada no dia 15 de Outubro do ano seguinte, passam hoje, portanto, 29 anos.


CD



Conlon Nancarrow
String Quartets - No.1; No.3, 'Canon 3/4/5/6'. Studies for Player Piano - No.15 (arr. Mikhasoff);
No.31 (arr. Usher); No.33; No.34.
Conlon Nancarrow (piano)
Arditti Quartet
Wergo WER6696-2


Internet



Conlon Nancarrow
Conlon Nancarrow / Conlon Nancarrow / Wikipedia

07/10/2017

Trompetistas #1: Alison Balsom (1978-)

Só nos inícios do século XIX é que o trompete ganhou válvulas e, com elas, a possibilidade de produzir uma gama mais alargada de sons. Tal não era possível com o seu antecessor, o trompete natural, que, por via disso, ficou quase sempre limitado a um papel de suporte na orquestra. Por volta de 1795 um trompetista da Corte de Viena, Anton Weidinger (1767-1852) introduziu algumas melhorias no trompete natural que, se não foram suficientes para que este chegasse aos calcanhares do trompete de válvulas, pelo menos chegaram para convencer o compositor austríaco Joseph Haydn (1732-1809) a aceitar escrever um concerto para esse instrumento.

Composto em 1796, Weidinger iria estreá-lo apenas em 1800, no dia 22 de Março. Apesar de hoje em dia ser, possivelmente, o concerto mais popular de Haydn, só em 1929, mais de 100 anos depois da estreia, é que viria a ser novamente tocado... Um dos seus mais destacados intérpretes da atualidade é a inglesa Alison Balsom, que hoje festeja o seu 39º aniversário, e de que deixo mais abaixo uma gravação vídeo efetuada durante os Concertos Promenade de 2009.


CD



Joseph Haydn
Trumpet Concerto in E flat major, HobVIIe/1.
Johann Nepomuk Hummel
Trumpet Concerto in E flat major, S49/WoO1.
Johann Neruda
Trumpet Concerto in E flat major.
Giuseppe Torelli
Trumpet Concerto in D major, 'Estienne Roger'.
Alison Balsom (trompete)
Deutsche Kammerphilharmonie, Bremen
Alison Balsom
EMI 2 16213-0


Internet



Alison Balsom
Official Website / Warner Classics / Wikipedia

01/10/2017

Música de Câmara #1: Chamber Concerto, de György Ligeti

Friedrich Cerha (1926-) nasceu em Viena, Áustria, e lá efectuou também os estudos musicais, na Academia de Música e na Universidade. Além da sua (principal) actividade de compositor, Cerha destacou-se na interpretação de obras de outros compositores intimamente ligados a Viena: Alban Berg (1885-1935), Arnold Schoenberg (1874-1951) e Anton Webern (1883-1945), os elementos mais destacados da Segunda Escola de Viena.

O compositor György Ligeti nasceu na Roménia em Maio de 1923, tendo vivido na Hungria desde o final da 2ª Guerra Mundial até 1956, ano em que a revolução que teve lugar naquele país fez com que Ligeti se tivesse mudado para Viena. Foi neste cidade que, liberto das rédeas curtas impostas pelo regime comunista húngaro, começou a compor obras mais arrojadas, que o tornariam num dos compositores avant-garde mais relevantes na segunda metade do século XX.

No dia 1 de Outubro de 1970, passam hoje 47 anos, Friedrich Cerha dirigiu em Berlim o grupo Die Reihe na estreia do Concerto de Câmara de György Ligeti.


CD



György Ligeti
'Clear or Cloudy - Complete Recordings on Deutsche Grammophon'.
Various artists, including
Wiener Biäsersolisten, LaSalle Quartet, Wiener Philharmoniker, Claudio Abbado,
London Sinfonietta, Ensemble Intercontemporain, Pierre Boulez
Deutsche Grammophon 477 6443


Internet



György Ligeti
The Guardian / allmusic / Wikipedia

24/09/2017

Compositores #127: John Rutter (1945-)

Tendo começado bem cedo a cantar em coros, não será de espantar que o género a que o compositor (e maestro) inglês John Rutter se tenha mais dedicado tenha sido o coral (e o vocal). As obras corais representam mesmo uma parte substancial da sua produção, destacando-se, entre aquelas de maior fôlego, o Requiem (Missa para os defuntos).

Estruturado em sete movimentos, dos quais cinco baseados no texto em latim da Missa de Requiem (Missa defunctorum), o Requiem de John Rutter foi composto em 1985, e estreado pelo próprio, nos Estados Unidos, no dia 13 de Outubro desse mesmo ano.

John Rutter, nasceu no dia 24 de Setembro de 1945 celebrando hoje, portanto, o seu 72º aniversário.


CD



John Rutter
Requiem. Hymn to the Creator of Light. God be in my head. A Gaelic Blessing.
Psalmfest - No.5, Cantate Domino.
Rosa Mannion, Libby Crabtree (sopranos)
Polyphony
Bournemouth Sinfonietta
Stephen Layton
Hyperion CDA66947
(1997)


Internet






John Rutter
John Rutter / Singers.com / Wikipedia

17/09/2017

Violinistas #17: Zino Francescatti (1902-1991)

Nascido René-Charles Francescatti, o francês Zino Francescatti - que ninguém adivinharia ser de ascendência italiana... - cedo demonstrou ser um virtuoso do violino, tendo dado o primeiro concerto público quando tinha 5 anos. Durante a sua longa carreira formou dois duos que se tornaram lendários: primeiro com Maurice Ravel (1875-1937) e, mais tarde, com o pianista, igualmente francês, Robert Casadesus (1899-1972).

Por coincidência, ou talvez não, tanto na sua estreia em Paris, em 1925, como nos Estados Unidos (Nova Iorque), em 1939, tocou a mesma obra: o Concerto para Violino Nº1 de Niccolò Paganini (1782-1840). Nada como mostrar cedo toda a técnica para começar a cimentar uma carreira... Mais tarde virar-se-ia para outras paragens, tendo-nos deixado, nomeadamente, gravações com todas as obras de Ludwig van Beethoven (1770-1827) para violino e piano, em parceria precisamente com Robert Casadesus e de que podemos apreciar um excerto no vídeo que se segue.

Zino Francescatti faleceu há 26 anos, no dia 17 de Setembro de 1991.


CD



Ludwig van Beethoven
Violin Sonatas - No.7 in C minor, 'Eroica', Op.30/2; No.8 in G major, Op.30/3;
No.9 in A major, 'Kreutzer', Op.47.
Zino Francescatti (violino)
Biddulph 80210-2
(1949, 1953)


Internet



Zino Francescatti
The New York Times / Legendary Violinists / allmusic / Wikipedia

10/09/2017

Barítonos #4: Thomas Allen (1944-)

O primeiro Concerto Promenade teve lugar no dia 10 de Agosto de 1895, no Queen's Hall, em Londres, com o seu fundador, Henry Wood (1869-1944), a dirigir a orquestra. Em 1941 os concertos decorreram no Royal Albert Hall, sala onde se têm mantido até à atualidade. Ontem, 9 de Setembro, foi dia do concerto nº75 dos Proms deste ano e foi, simultaneamente, o último concerto desta que foi a 123ª temporada dos Concertos Promenade.

O último concerto dos Proms de 2004 contou com a participação do barítono inglês Thomas Allen (Sir Thomas Allen desde 1999...), o nosso aniversariante de hoje, uma vez que nasceu no dia 10 de Setembro de 1944. Como é tradicional na enorme festa que é o concerto que encerra cada temporada dos Proms, neste de 2004 misturaram-se obras mais sérias com outras mais ligeiras, e é nesta última versão que encontramos um Thomas Allen em excelente forma.


Internet



Thomas Allen
Operabase / the guardian / Askonas Holt / Wikipedia

03/09/2017

Violoncelistas #17: Gautier Capuçon (1981-)

O Concerto para Violoncelo de Antonín Dvorák (1841-1904) foi a segunda tentativa do compositor no género, escrita cerca de 30 anos depois da primeira. Acabou mesmo por ser a única que restou uma vez que Dvorák, insatisfeito com o resultado da primeira, acabou por descartá-la.

O francês Gautier Gapuçon passa por ser um dos mais visíveis violoncelistas da atualidade, tendo já tocado com (praticamente) todas as grandes orquestras, deste e do outro lado do Atlântico e, por tabela, com os mais reputados maestros.

Gautier Capuçon celebra hoje o seu 36º aniversário.


CD



Antonín Dvorák
Cello Concerto in B minor, B191.
Victor Herbert
Cello Concerto No.2 in E minor, Op.30.
Gautier Capuçon (violino)
Frankfurt Radio Symphony Orchestra
Paavo Järvi
Virgin Classics 5 19035-2


Internet



Gautier Capuçon
Official website / Gulbenkian Música / Wikipedia

27/08/2017

Obras Orquestrais #34: By the Sleepy Lagoon, de Eric Coates

Reza a história que a inspiração para "By the Sleepy Lagoon" veio da contemplação da uma praia no West Sussex, um condado no sul de Inglaterra, corria o ano de 1930. Por essa altura o compositor inglês Eric Coates (1886-1957) já tinha obtido alguns sucessos, nomeadamente com a abertura "The Merrymakers", uma obra de 1922.

Não será, porventura, descabido considerar "By the Sleepy Lagoon" como um das obras mais bem sucedidas de Coates: é o tema que é utilizado na abertura do programa semanal da BBC Desert Island Discs desde a sua primeira edição, no dia 29 de Janeiro de 1942. Já estamos em Agosto de 2017, o programa ainda existe e o tema de abertura continua a ser o mesmo...

Eric Coates nasceu há 131 anos, no dia 27 de Agosto de 1886.


CD



Eric Coates
By the Sleepy Lagoon. Summer Days. Wood Nymphs. The Jester at the Wedding.
Symphonic Rhapsodies - No.2; No.3. London suite.
Queen's Hall Light Orchestra
New Queen's Hall Light Orchestra
Eric Coates
Naxos Historical 8.110173
(1926-1940)


Internet



Eric Coates
Boosey & Hawkes / Faber Music / Naxos / Wikipedia

20/08/2017

Violoncelistas #16: Maurice Gendron (1920-1990)

Sendo o violoncelo um dos meus instrumentos favoritos é compreensível, pelo menos eu assim o acho..., que procure todas as desculpas para aqui trazer os seus melhores intérpretes. Hoje calha então a vez ao francês Maurice Gendron, violoncelista, maestro e professor falecido no dia 20 de Agosto de 1990, passam hoje 27 anos.

A faceta de violoncelista é a que mais me interessa agora, deixando para outra altura a de professor (que foi algo mais polémica, com acusações de que era um "professor abusivo"). Como violoncelista foi um dos expoentes do século XX, com o mês de Dezembro de 1945 a ser decisivo para o arranque da carreira: no dia 2 deu um recital no Wigmore Hall, e logo acompanhado por Benjamin Britten (1913-1976) ao piano; ainda nesse mês estreou em solo europeu o Concerto para Violoncelo Nº1 de Sergei Prokofiev (1891-1953). Este último concerto, em particular, foi determinante para o início da carreira, algo reconhecido pelo próprio Gendron: "Ninguém queria ouvir Maurice Gendron, mas toda a gente queria ouvir Prokofiev!"...


CDs



Johannes Brahms
Double Concerto for Violin and Cello in A minor, Op.102.
Sergei Prokofiev
Cello Concerto in E minor, Op.58.
Gabriel Fauré
Elégie, Op.24.
Maurice Gendron (violoncelo), Arthur Grumiaux (violino)
Stuttgart Radio Symphony Orchestra, Hans Müller-Kray
Frankfurt Radio Symphony Orchestra, Sixten Ehrling
Melo Classic MC3011
(1956, 1962)

'L'Art de Maurice Gendron'.
Maurice Gendron (violoncelo), Jean Françaix, Hephzibah Menuhin,
Peter Gallion (pianos), Yehudi Menuhin, Robert Masters (violinos),
Derek Simpson (violoncelo)
London Philharmonic Orchestra, Karl Rankl
Suisse Romande Orchestra, Ernest Ansermet
Vienna Symphony Orchestra, Christoph von Dohnányi
Orchestre des Concerts Lamoureux, Pablo Casals
London Symphony Orchestra, Raymond Leppard
National Orchestra of Monte-Carlo Opera, Roberto Benzi
Decca 4823 849
(1946-1969)


Internet



Maurice Gendron
Internet Cello Society / allmusic / The New York Yimes / Wikipedia

13/08/2017

Concertos para Piano #19: Concerto para Piano, de Jules Massenet

Apesar do compositor francês Jules Massenet (1841-1912) ter composto obras dentro de vários géneros, é indubitável que o operático foi aquele onde registou maior sucesso, em particular graças a 3 óperas: Manon, estreada em Janeiro de 1884; Werther, estreada em Fevereiro de 1892; e Thaïs, estreada em Março de 1894.

Em 1863, ano em que venceu o Prix de Rome, Massenet iniciou a escrita de um Concerto para Piano. Não foi coisa de gestação fácil, pois apenas viria a finalizá-lo em 1902, tendo a estreia tido lugar no Conservatório de Paris no dia 1 de Fevereiro de 1903, com o pianista Louis Diémer. A recepção não foi de grande entusiasmo e o concerto, assim como apareceu, também desapareceu, raramente tendo sido tocado desde então.

Louis Diémer (1843-1919) um nome pouco ou nada conhecido hoje em dia, foi um importante compositor e pianista francês, mais importante como pianista do que como compositor, verdade seja dita, apesar da extensa obra que nos deixou. Foi dedicatário de várias, importantes, obras, nomeadamente do Concerto para Piano em fá menor de Édouard Lalo (1823-1892), do Concerto para Piano nº5 de Camille Saint-Saëns (1835-1921), bem como do referido Concerto para Piano de Massenet.

Jules Massenet faleceu há 105 anos, no dia 13 de Agosto de 1912.


CD



Jules Massenet
Piano Concerto in E flat major.
César Franck
Les djinns, Op.45. Symphonic Variations, M46.
Idil Biret (piano)
Bilkent Symphony Orchestra
Alain Pâris
Alpha ALPHA104


Internet



Jules Massenet
Classical-music / Royal Opera House / 8notes / Wikipedia