Violoncelistas #14: Jan Vogler (1964-)

Heinrich Schiff (1951-2016), falecido há menos de 2 meses, além de violoncelista e maestro foi também professor, tendo contado entre os seus alunos Gautier Capuçon (1981-) e Natalie Clein (1977-). Um outro aluno de Schiff foi o alemão Jan Vogler, que hoje celebra o seu 53º aniversário.

Tal como no caso de Schiff, também Jan Vogler se notabilizou na interpretação das suites para violoncelo solo de Johann Sebastian Bach (1685-1750), de que deixo alguns exemplos nos vídeos que incluo mais abaixo.


Gabriel Fauré
Piano Quintet No.2 in C minor, Op.115.
Robert Schumann
Piano Quintet in E flat, Op.44.
James Ehnes, Mira Wang (violinos), Naoko Shimizu (viola),
Jan Vogler (violoncelo), Louis Lortie (piano)
Sony Classical SK93038


Jan Vogler
Jan Vogler / Stresa Festival / Wikipedia


Poetas #12: George Meredith (1828-1909)

The Death of Chatterton é o nome de um quadro do pintor inglês Henry Wallis (1830-1916), terminado em 1856 e que representa a morte, por suicídio, do poeta, também inglês, Thomas Chatterton (1752-1770). O modelo para esse quadro foi o poeta George Meredith que, todavia, não terá ficado com grandes saudades do momento: é que 2 anos depois a mulher de Meredith deu à sola com o pintor...

Em 1881, George Meredith escreveu o poema The Lark Ascending, sobre o canto da cotovia:

He rises and begins to round,
He drops the silver chain of sound
Of many links without a break,
In chirrup, whistle, slur and shake,
All intervolv’d and spreading wide,
Like water-dimples down a tide
Where ripple ripple overcurls
And eddy into eddy whirls;
A press of hurried notes that run
So fleet they scarce are more than one,
Yet changingly the trills repeat
And linger ringing while they fleet,
Sweet to the quick o’ the ear, and dear
To her beyond the handmaid ear,
Who sits beside our inner springs,
Too often dry for this he brings,
Which seems the very jet of earth
At sight of sun, her music’s mirth,
As up he wings the spiral stair,
A song of light, and pierces air
With fountain ardor, fountain play,
To reach the shining tops of day,
And drink in everything discern’d
An ecstasy to music turn’d,
Impell’d by what his happy bill
Disperses; drinking, showering still,
Unthinking save that he may give
His voice the outlet, there to live
Renew’d in endless notes of glee,
So thirsty of his voice is he,
For all to hear and all to know
That he is joy, awake, aglow,
The tumult of the heart to hear
Through pureness filter’d crystal-clear,
And know the pleasure sprinkled bright
By simple singing of delight,
Shrill, irreflective, unrestrain’d,
Rapt, ringing, on the jet sustain’d
Without a break, without a fall,
Sweet-silvery, sheer lyrical,
Perennial, quavering up the chord
Like myriad dews of sunny sward
That trembling into fulness shine,
And sparkle dropping argentine;
Such wooing as the ear receives
From zephyr caught in choric leaves
Of aspens when their chattering net
Is flush’d to white with shivers wet;
And such the water-spirit’s chime
On mountain heights in morning’s prime,
Too freshly sweet to seem excess,
Too animate to need a stress;
But wider over many heads
The starry voice ascending spreads,
Awakening, as it waxes thin,
The best in us to him akin;
And every face to watch him rais’d,
Puts on the light of children prais’d,
So rich our human pleasure ripes
When sweetness on sincereness pipes,
Though nought be promis’d from the seas,
But only a soft-ruffling breeze
Sweep glittering on a still content,
Serenity in ravishment.

For singing till his heaven fills,
’T is love of earth that he instils,
And ever winging up and up,
Our valley is his golden cup,
And he the wine which overflows
To lift us with him as he goes:
The woods and brooks, the sheep and kine
He is, the hills, the human line,
The meadows green, the fallows brown,
The dreams of labor in the town;
He sings the sap, the quicken’d veins;
The wedding song of sun and rains
He is, the dance of children, thanks
Of sowers, shout of primrose-banks,
And eye of violets while they breathe;
All these the circling song will wreathe,
And you shall hear the herb and tree,
The better heart of men shall see,
Shall feel celestially, as long
As you crave nothing save the song.
Was never voice of ours could say
Our inmost in the sweetest way,
Like yonder voice aloft, and link
All hearers in the song they drink:
Our wisdom speaks from failing blood,
Our passion is too full in flood,
We want the key of his wild note
Of truthful in a tuneful throat,
The song seraphically free
Of taint of personality,
So pure that it salutes the suns
The voice of one for millions,
In whom the millions rejoice
For giving their one spirit voice.

Yet men have we, whom we revere,
Now names, and men still housing here,
Whose lives, by many a battle-dint
Defaced, and grinding wheels on flint,
Yield substance, though they sing not, sweet
For song our highest heaven to greet:
Whom heavenly singing gives us new,
Enspheres them brilliant in our blue,
From firmest base to farthest leap,
Because their love of Earth is deep,
And they are warriors in accord
With life to serve and pass reward,
So touching purest and so heard
In the brain’s reflex of yon bird;
Wherefore their soul in me, or mine,
Through self-forgetfulness divine,
In them, that song aloft maintains,
To fill the sky and thrill the plains
With showerings drawn from human stores,
As he to silence nearer soars,
Extends the world at wings and dome,
More spacious making more our home,
Till lost on his aërial rings
In light, and then the fancy sings.

O compositor inglês Ralph Vaughan Williams (1872-1958), deixou-nos várias obras em que musicou poemas de vários autores, nomeadamente A Shropshire Lad, de A. E. Housman (1859-1936) e Leaves of Grass, de Walt Whitman (1819-1892). Em 1914 foi então a vez de Vaughan Williams musicar The Lark Ascending, inicialmente numa versão para violino e piano, e posteriormente para violino solo e orquestra, sendo esta última a versão mais utilizada.

George Meredith nasceu há 189 anos, no dia 12 de Fevereiro de 1828.


Ralph Vaughan Williams
Symphonies 1-9. The Lark Ascending.
Fantasia on a Theme by Thomas Tallis.
In the Fen Country. On Wenlock Edge.
London Philharmonic Choir
London Philharmonic Orchestra
Bernard Haitink
EMI 5 86026-2

Ralph Vaughan Williams
The Lark Ascending.
John Tavener
Song for Athene. Dhyana. Lalishri.
Nicola Benedetti (violino)
London Philharmonic Orchestra
Andrew Litton
Deutsche Grammophon 476 6198


George Meredith
Poetry Foundation / Poem Hunter / All Poetry / Wikipedia


Pianistas #49: Maria João Pires (1944-)

A pianista portuguesa Maria João Pires começou a dar recitais públicos ainda muito nova, com apenas 7 anos de idade. Fez os estudos musicais em Portugal, no Conservatório de Lisboa com o professor Campos Coelho (1903-1988), e depois na Alemanha, primeiro em Munique e em seguida em Hanover, com o reputado pianista e professor Karl Engel (1923-2006).

O reconhecimento internacional chegou com a sua vitória na Beethoven Bicentennial Competition em Bruxelas, em 1970. As suas estreias nos grandes palcos mundiais e com as mais conceituadas orquestras só aconteceriam bastantes anos depois, contudo: Londres em 1986, Nova Iorque em 1989, Salzburgo em 1990 (com a Orquestra Filarmónica de Viena e o saudoso maestro Claudio Abbado).

A estreia com a Orquestra Filarmónica de Berlim teve lugar no dia 5 de Fevereiro de 1991, passam hoje 26 anos. E é precisamente com Maria João Pires e essa orquestra que vos deixo nos vídeos que aqui incluo.


Maria João Pires
Askonas Holt / Gulbenkian Música / The Telegraph / Wikipedia


Compositores #123: Havergal Brian (1876-1972)

"This work has been inside my heart for a lifetime and naturally there is inside it all those who have been very dear to me - who helped and moulded me". Foi assim que Havergal Brian descreveu a sua 1ª sinfonia numa carta que escreveu ao seu amigo e igualmente compositor inglês Granville Bantock (1868-1946).

Está bom de ver que Brian tinha um grande coração, ou não seja esta sua primeira sinfonia uma das mais longas de que há registo ultrapassando nesse aspecto, por exemplo, a de Gustav Mahler (1860-1911). A duração a rondar 1 hora e 45 minutos valeu-lhe mesmo uma entrada no Guiness World Records como "a mais longa sinfonia". Além da sua duração, a sinfonia destaca-se ainda pelo elevado número de instrumentistas que são necessários, perto de 200; se a estes somarmos os cantores (estamos a falar de uma "sinfonia vocal"), então poderemos estar a falar de um total de 800 intérpretes envolvidos, algo que certamente contribui para que esta sinfonia não seja tocada mais vezes.

Havergal Brian nasceu há 141 anos, no dia 29 de Janeiro de 1876.


Havergal Brian
Symphony No.1, 'Gothic'.
Eva Jenisová (soprano), Dagmar Pecková (contralto), Vladimír Dolezal (tenor), Peter Mikulás (baixo)
Slovak Opera Chorus
Slovak Folk Ensemble Chorus
Lúcnica Chorus
Slovak Philharmonic Chorus
Slovak Philharmonic Orchestra
Ondrej Lenárd
Naxos 8.557418-19

Havergal Brian
Symphony No.1, 'Gothic'.
Susan Gritton (soprano), Christine Rice (contralto), Peter Auty (tenor), Alastair Miles (baixo),
David Goode (órgão)
Bach Choir
Brighton Festival Chorus
Huddersfield Choral Society
London Symphony Chorus
BBC National Orchestra of Wales
BBC Concert Orchestra
Martin Brabbins
Hyperion CDA67971/2


Havergal Brian
The Havergal Brian Society / Naxos / the guardian / Wikipedia


Compositores #122: Alexander Tcherepnin (1899-1977)

Numa das ocasiões em que aqui trouxe o compositor checo Bohuslav Martinu (1890-1959) referi que, a determinada altura, efectuou estudos musicais em Paris, com o igualmente compositor Albert Roussel (1869-1937). Durante essa estada parisiense Martinu teve a oportunidade de se cruzar com um outro compositor, o russo de nascimento Alexander Tcherepnin, que para lá se tinha mudado em conjunto com a família e em consequência da Revolução Russa de 1917.

Tcherepnin, nascido e crescido num ambiente musical, começou a compor desde muito jovem, já com algumas centenas de composições no curriculum ainda antes de começar os estudos musicais formais. Sendo o piano o seu instrumento de eleição, não é de estranhar que tenha sido para ele que escreveu uma parte substancial da sua obra.

Alexander Tcherepnin nasceu há 118 anos, no dia 21 de Janeiro de 1899.


Alexander Tcherepnin
Complete Music for Cello and Piano
Cello Sonatas - No.1, Op.29; No.2, Op.30 No.1; No.3, Op.30 No.2.
The Well-Tempered Cello, Op.38. Songs and Dances, Op.84. Ode.
Alexander Ivashkin (violoncelo), Geoffrey Tozer (piano)
Chandos Records CHAN9770

Alexander Tcherepnin
Symphonies - No.1 in E major, Op.42; No.2 in E flat major, Op.77.
Piano Concerto No.5, Op.96.
Noriko Ogawa (piano)
Singapore Symphony Orchestra
Lan Shui
BIS Records BIS-1017


Alexander Tcherepnin
The Tcherepnin Society Website / allmusic / Naxos / Wikipedia


Sinfonias #55: Sinfonia Nº7, de Vaughan Williams

Robert Falcon Scott (1868-1912) foi um capitão da marinha inglesa, conhecido pelas suas duas expedições à região Antártica, tendo falecido no regresso da segunda. A "Expedição Terra Nova" resultou na morte não só do seu líder, Falcon Scott, como dos outros 4 membros da expedição que com ele tinham atingido o pólo sul. Esse grupo tinha chegado ao pólo no dia 17 de Janeiro de 1912, para rapidamente concluir que um outro, liderado pelo explorador norueguês Roald Amundsen (1872-1928), tinha ganho a corrida por 34 dias...

Em 1948 o inglês Charles Frend (1909-1977) realizou "Scott of the Antarctic" (em português recebeu o título de "A Tragédia do Capitão Scott"), sobre, está-se mesmo a ver, essa trágica expedição. Para a banda sonora foi convidado o compositor inglês Ralph Vaughan Williams (1872-1958), e daquilo que ele compôs acabaria por resultar também a sua 7ª sinfonia, apropriadamente designada por "Sinfonia Antartica", composta entre 1949 e 1952 e estreada no dia 14 de Janeiro de 1953, passam hoje 64 anos.


Ralph Vaughan Williams
Film Music, Volume 1.
Scott of the Antarctic - Suite (ed. Hogger). The People's Land (ed. Hogger).
Coastal Command - Suite.
Merryn Gamba (soprano), Jonathan Scott (órgão)
Sheffield Philharmonic Chorus
BBC Philharmonic Orchestra
Rumon Gamba
Chandos Records CHAN10007

Ralph Vaughan Williams
Symphonies 1-9.
Isobel Baillie, Margaret Ritchie (sopranos), John Cameron (barítono),
John Gielgud (narrador)
London Pilharmonic Choir
London Philharmonic Orchestra
Adrian Boult
Decca 473 241-2

Ralph Vaughan Williams
Symphonies 1-9. The Lark Ascending.
Fantasia on a Theme by Thomas Tallis.
In the Fen Country. On Wenlock Edge.
London Philharmonic Choir
London Philharmonic Orchestra
Bernard Haitink
EMI 5 86026-2

Ralph Vaughan Williams
Symphonies - No.5; No.7, "Sinfonia Antartica".
Sheila Armstrong (soprano)
Ladies of the London Philharmonic Choir
London Philharmonic Orchestra
Bernard Haitink
(1984, 1994)


Ralph Vaughan Williams
Ralph Vaughan Williams Society / Classic fM / allmusic / Wikipedia


Violinistas #16: Nathan Milstein (1904-1994)

O primeiro concerto público de Nathan Milstein teve lugar na sua terra natal, Odessa, quando o violinista de origem russa apenas tinha 10 anos. Não tardou muito até começar a partilhar o palco com Vladimir Horowitz (1903-1989). Este último, ao contrário de Milstein, cultivava um estilo um pouco menos discreto, para não dizer outra coisa, pelo que era particularmente idolatrado pelo público, deixando para Milstein um papel mais secundário. O sucesso obtido pela dupla levou a que fossem convidados pelas autoridades russas a realizar uma turné internacional; corria o ano de 1925, e eles lá foram, só que Milstein aproveitou a oportunidade e nunca mais regressou...

Se houve compositor em que se distinguiu, tanto na Rússia como mais tarde nos Estados Unidos e na Europa Ocidental, foi Johann Sebastian Bach (1685-1750), prestígio granjeado tanto através dos recitais que deu como das gravações de referência que foi fazendo. E é precisamente com Bach e Milstein que ficamos nos vídeos exibidos mais abaixo.

Nathan Milstein nasceu, segundo algumas fontes, a 31 de Dezembro de 1904, passam hoje 112 anos.


Nathan Milstein
Legendary Violinists / The Strad / The New York Times / Wikipedia


Instrumentistas #1: Ram Narayan (1927-)

A década de 1960 revelou-se de uma grande importância para a música clássica indiana: foi na segunda metade dessa década que Ravi Shankar (1920-2012) gravou conjuntamente com Yehudi Menuhin (1916-1999) o álbum West Meets East, e foi também nessa década que Ram Narayan efectuou a sua primeira turné pelos Estados Unidos e pela Europa.

Tocador de sarangi, um instrumento de cordas e arco muito popular na Índia e no Nepal, Ram Narayan enfrentou inúmeras dificuldades na sua tarefa de emancipar o seu instrumento de eleição, e que era tradicionalmente visto como um instrumento indicado para acompanhamento, principalmente de música vocal. Só em 1956, cerca de dez anos depois de ter começado a tocar regularmente sarangi, é que conseguiu levar a cabo um concerto a solo sem ter sido corrido do palco.

Ram Narayan celebra hoje o seu 89º aniversário.


Ram Narayan
Allmusic / Sarangi.net / Wikipedia


Poemas Sinfónicos #7: Praga, de Josef Suk

O compositor checo Antonín Dvorák (1841-1904) faleceu em Maio de 1904, um acontecimento que se viria a revelar marcante na carreira de Josef Suk (1874-1935), genro de Dvorák e igualmente compositor. Um ano e pouco depois Otilie, esposa de Suk e filha de Dvorák, iria também falecer, o que marcou definitivamente Josef Suk que, de um estilo composicional que se pode definir como romântico tardio, passou para um outro nitidamente mais reservado, semeado de obras bem mais complexas e reveladoras das emoções que o assolavam.

O poema sinfónico Praga foi composto em 1904, marcando portanto a transição entre os dois períodos composicionais de Suk. Estreado no dia 18 de Dezembro de 1904, passam hoje 112 anos, antecedeu a composição da Sinfonia Asrael, a obra que assinalou a entrada no novo ciclo e, simultaneamente, a sua mais emblemática e conhecida.


Josef Suk
A Summer's Tale, Op.29. Praga, Op.26.
BBC Symphony Orchestra
Jirí Belohlávek
Chandos CHSA5109


Josef Suk
New World Encyclopedia / Naxos / Wikipedia


Compositores #121: Ravi Shankar (1920-2012)

Depois de um início mais dedicado à dança, ligado à companhia fundada pelo seu irmão, Ravi Shankar começou a dedicar-se, a partir dos finais da década de 1930, ao estudo do sitar, um instrumento indiano da família do alaúde. A aprendizagem foi de tal maneira bem sucedida que cerca de um ano depois dava o seu primeiro concerto público.

Não tardaria muito para Shankar se transformar numa das referências da música clássica indiana, reputação reforçada pelo primeiro encontro que teve com o violinista Yehudi Menuhin (1916-1999) aquando da primeira visita deste à Índia, em 1952. Da relação estabelecida entre ambos resultaria, uns anos mais tarde, o álbum West Meets East, lançado inicialmente em Inglaterra em Janeiro de 1967 e uns poucos meses depois nos Estados Unidos, disco esse que viria a ganhar um Grammy, por sinal o primeiro atribuído a um músico de origem asiática.

Ravi Shankar faleceu há 4 anos, no dia 11 de Dezembro de 2012.


West Meets East
The Historic Shankar/Menuhin Sessions
Ravi Shankar (sitar), Yehudi Menuhin (violino)


Ravi Shankar
The Ravi Shankar Foundation / East Meets West Music / biography.com / Wikipedia


Poetas #11: Stefan George (1868-1933)

Para as suas obras vocais (canções, cantatas, etc.) os compositores socorreram-se frequentemente de poemas de autores mais ou menos conhecidos, havendo casos em que essa associação entrou definitivamente para a história da música (ex.: os ciclos de canções de Franz Schubert e de Robert Schumann baseados em poemas de Heinrich Hein).

Stefan George foi um poeta alemão cujos versos davam um particular relevo ao poder e ao heroísmo, características que lhe terão valido uma especial admiração por parte dos simpatizantes do movimento nacional socialista. Uma ideologia que o poeta nunca professou, ao ponto de ter abandonado o país pouco depois da chegada ao poder dos nazis.

Dos vários compositores que musicaram poemas seus, os da Segunda Escola de Viena destacaram-se claramente, em especial o pai dessa escola, Arnold Schoenberg (1874-1951). Até aqui tudo mais ou menos normal; o que é menos usual, contudo, é que uma das obras em que Schoenberg utilizou poemas de Stefan George foi num... quarteto de cordas, no caso o segundo.

Stefan George faleceu há 83 anos, no dia 4 de Dezembro de 1933.


Arnold Schoenberg
String Quartets - No.1 in D minor, Op.7; No.2 in F sharp minor, Op.10; No.3, Op.30;
No.4, Op.37; in D major.
Anton Webern
Five Movements from String Quartet, Op.5. String Quartet. Six Bagatelles for String Quartet, Op.9.
Alban Berg
Lyric Suite for String Quartet. String Quartet, Op.3.
Margaret Price (soprano)
LaSalle Quartet
Brilliant Classics 9016

Arnold Schoenberg
String Quartet No.2, Op.10.
Anton Webern
Six Bagatelles, Op.9. Langsam, 'Schmerz immer, Blick nach oben'.
Alban Berg
Lyric Suite.
Sandrine Piau (soprano), Marie-Nicole Lemieux (contralto)
Quatuor Diotima
Naïve V5240

Arnold Schoenberg
Complete String Quartets.
Alban Berg
Lyric Suite - String Quartet. String Quartet, Op.3.
Anton Webern
String Quartet, Op.5 - 5 movements.
Juilliard Quartet
United Archives UAR023


Stefan George
The Guardian / Encyclopedia.com / Wikipedia


Guitarristas #1: Jimi Hendrix (1942-1970)

Sabem o que separa o compositor do período barroco George Frideric Handel (1685-1759) do guitarrista de rock Jimi Hendrix? Além de cerca de 250 anos e dos (muito) distintos campos musicais, muito pouco, apenas uma parede na Brook Street, Londres. Alemão de nascimento, e depois de uma passagem por Itália, no início da década de 1710 Handel decidiu mudar-se para Londres, tendo assentado arraiais no número 25 de Brook Street a partir de 1723.

Jimi Hendrix, natural de Seattle, Estados Unidos, deslocou-se pela primeira vez a Londres em Setembro de 1966, tendo lá regressado dois anos depois, para ficar a viver no número 23 de Brook Street. Uma porta ao lado da antiga casa de Handel, ou a tal parede que os separou... Consta que, quando soube da coincidência, Hendrix fez questão de ir a uma loja de discos para comprar algumas gravações de obras de Handel, nomeadamente o Messias e a Música Aquática.

E aquilo que à partida pareciam dois estilos inconciliáveis de tão díspares, acabam por se unir pela pouca distância física e pela criação de uma organização que ambiciona promover a música de ambos, a Handel & Hendrix in London.

Jimi Hendrix nasceu há 74 anos, no dia 27 de Novembro de 1942.


Jimi Hendrix
Handel & Hendrix in London / The Official Jimi Hendrix Site / biography.com / Wikipedia


Compositores #120: Meredith Monk (1942-)

Há muitos anos fui com um amigo assistir a um concerto de Meredith Monk no Rivoli do Porto; não consigo precisar exactamente o ano em que esse concerto teve lugar, nem consigo descobrir na internet informação sobre tal (é uma pena que ainda não esteja mais disseminado neste país o saudável hábito das instituições manterem registos acessíveis do seu historial), mas seguramente que foi há coisa de 30 anos.

Na altura já tinha vários discos (LPs) de Meredith Monk, pelo que "sabia exactamente ao que ia". Cedo me apercebi, contudo, de que o mesmo não se aplicava a uma boa parte do público presente, pelos risinhos mal disfarçados aquando das primeiras "habilidades vocais" da cantora/compositora. Rapidamente substituídos, no entanto, por manifestações de espanto e admiração, acabando Monk por ganhar em absoluto o público.

Há inúmeros vídeos de performances de Meredith Monk disponíveis no Youtube, mas o que incluo mais abaixo, gravado na Library of Congress, em Washington, Estados Unidos, em Outubro do ano passado, é suficientemente ilustrativo das suas qualidades como compositora e cantora.

Meredith Monk celebra hoje o seu 74º aniversário.


Meredith Monk
Meredith Monk, T. Bleckmann, A. Easter, K. Geissinger, C. Gonzalez (vozes),
B. Hilash (clarinete); A. Sniffin (voz/teclados/violino/viola),
J. Hollenbeck (voz, percussão, piano)
ECM New Series 472 468-2

Meredith Monk
Songs of Ascension.
Meredith Monk & Vocal Ensemble
Todd Reynolds Quartet
The M6
Montclair State University Singers
ECM New Series 2154


Meredith Monk
Meredith Monk / The Guardian / Carnegie Hall / Wikipedia


Compositores #119: Walter Piston (1894-1976)

O norte-americano Walter Piston foi mais um do notável conjunto de alunos de Nadia Boulanger (1887-1979), no seu caso em meados da década de 1920. Para que não deixemos ninguém para trás, refira-se que nessa passagem por Paris também passou pelas aulas de Paul Dukas (1865-1935).

Após o regresso aos Estados Unidos, e a par com a docência e a escrita, dedicou-se à composição, criando um conjunto de obras especialmente notadas pela utilização de formas musicais mais tradicionais, longe das modernices de outros seus contemporâneos. Escreveu oito sinfonias, três das quais (as , e ) por encomenda da Orquestra Sinfónica de Boston e do seu maestro titular Serge Koussevitzky (1874-1951), o que atesta da estreita relação desenvolvida entre eles.

Dos vários prémios recebidos constam dois Pulitzer, precisamente por duas das sinfonias que compôs, as nº3 e nº7, e uma colecção muito apreciável de oito doutoramentos honoris causa.

Walter Piston faleceu há 40 anos, no dia 12 de Novembro de 1976.


Walter Piston
Violin Concertos - No.1; No.2. Fantasia for Violin and Orchestra.
James Buswell (violino)
Ukraine National Symphony Orchestra
Theodore Kushar
Naxos 8.559003

Walter Piston
Symphony No.4. Capriccio. Three New England Sketches.
Seattle Symphony Orchestra
Gerard Schwarz
Naxos 8.559162

Walter Piston
The Incredible Flutist. Fantasy for English Horn. Suite for Orchestra.
Concerto for String Quartet, Wind Instruments and Percussion. Psalm and Prayer of David.
Scott Goff (flauta), Glen Danielson (trompa), Therese Wunrow(harpa)
Juilliard Quartet
Seattle Symphony Chorale
Seattle Symphony Orchestra
Gerard Schwarz
Delos DE3126
(1991, 1992)


Walter Piston
Music Sales Classical / Naxos / Wikipedia


Lugares #195: S. João da Pesqueira

No próximo mês passarão 3 anos sobre a última vez que por aqui falei de "lugares", na altura a propósito de Trancoso e de um dos seus grandes, Gonçalo Bandarra (1500-1556). As passagens por Trancoso são quase um ritual, no regresso da Maratona de BTT de Beselga, que decorre normalmente no segundo fim de semana de Novembro.

O próximo fim de semana será assim novamente de BTT, com a admirável prova de Beselga e o não menos admirável almoço que se lhe segue. Na semana passada, por coincidência e questões de trabalho, andei por lá perto, não exactamente em Penedono ou Beselga, mas em S. João da Pesqueira, uma pequena vila que pertence igualmente ao distrito de Viseu.

Ponto central da Região Demarcada do Douro, S. João da Pesqueira é o mais antigo concelho do país, detendo o foral mais antigo de que há memória.

Uma das atracções principais de S. João da Pesqueira é a Praça da República, onde se destacam a Capela da Misericórdia e a Torre do Relógio, magnificamente fotografadas por mim com a máquina que tinha mais à mão: o telemóvel...


Município de S. João da Pesqueira / Guia da Cidade / Wikipedia