14/01/2018

Maestros #73: Mariss Jansons (1943-)

A ligação entre o maestro letão (da Letónia...) Mariss Jansons  e a Orquestra Sinfónica da Rádio da Baviera começou em 2003 e era suposto ter terminado 3 anos depois mas, aparentemente, a coisa não tem corrido mal: a colaboração não só ainda se mantém, como se manterá pelo menos até 2021. Estabilidade no emprego para ser, aliás, uma das características da carreira deste maestro, ou não tivesse também estado à frente da Royal Concertgebouw Orchestra de Amesterdão entre 2002 e 2015...

Mas o meu interesse de hoje centra-se neste maestro, que hoje celebra o seu 75º aniversário, na sua orquestra alemã e num dos seus compositores de eleição que é, simultaneamente, um dos meus preferidos, Richard Strauss (1864-1949), num dos géneros em que este último (também) se notabilizou: o poema sinfónico.


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Mariss Jansons
Classic fM / Royal Concertgebouw Orchestra / Bach Cantatas Website / Wikipedia

07/01/2018

Violinistas #18: Janine Jansen (1978-)

Foram frequentes as peripécias envolvendo estreias de algumas das obras do compositor russo Piotr Ilyich Tchaikovsky (1840-1893). Se em Dezembro de 1880 conseguiu que Nikolai Rubinstein (1835-1881) estreasse o Capriccio Italiano, 6 anos depois do mesmo Rubinstein se ter recusado estrear o seu Concerto para Piano Nº1, já o mesmo não sucedeu com o Concerto para Violino, que compôs em 1878.

Tchaikovsky dedicou esse concerto ao violinista húngaro Leopold Auer (1845-1930), na expectativa de que este procedesse à sua estreia. Enganou-se, pois Auer, ofendido pelo compositor já lhe ter apresentado uma versão definitiva, sem o ter envolvido no processo da composição, e descontente com algumas passagens da obra, acabou por se recusar terminantemente a pegar-lhe. Conclusão: Tchaikovsky teve que se virar para outra freguesia, acabando o feliz contemplado por ser o violinista russo Adolph Brodsky (1851-1929), que a estreou no dia 4 de Dezembro de 1881.

A nossa aniversariante de hoje - nasceu a 7 de Janeiro de 1978, Janine Jansen, fez deste concerto uma especialidade sua, e é com várias das suas interpretações desta obra que terminamos este texto.


CD



Piotr Ilyich Tchaikovsky
Violin Concerto in D major, Op.35. Souvenir d'un lieu cher, Op.42 (arr. Lascae).
Janine Jansen (violino)
Mahler Chamber Orchestra
Daniel Harding
Decca 478 0651


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Janine Jansen
Janine Jansen / Classic fM / Wikipedia

01/01/2018

Obras para Bailado #10: The Prince of the Pagodas, de Benjamin Britten


The Royal Ballet, a companhia de bailado do Covent Garden, em Londres, encomendou a Benjamin Britten (1913-1976) a parte musical para um novo bailado, com a coreografia a estar a cargo de John Cranko (1927-1973). O anúncio da colaboração entre Britten e Cranko foi feito nos inícios de 1954, e a estreia do bailado teve lugar no dia 1 de Janeiro de 1957, passam hoje 61 anos.


CDs



Benjamin Britten
The Prince of the Pagodas, Op.57 - Suite (arr. D. Mitchell / M. Cooke).
Colin McPhee
Tabuh-tabuhan. Balinese Ceremonial Music.
John Alley, Benjamin Britten, Elizabeth Burley, Colin McPhee (pianos)
BBC Symphony Orchestra
Leonard Slatkin
Chandos CHAN10111
(2003)

Benjamin Britten
The Prince of the Pagodas, Op.57.
London Sinfonietta
Oliver Knussen
Virgin Classics 91103-2


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Benjamin Britten
Boosey and Hawkes / Huffington Post / Wikipedia

24/12/2017

Obras Vocais #16: The Angels, de Jonathan Harvey


The Angels (Os Anjos) é uma obra vocal para um coro SABT (soprano, alto, tenor, baixo) sem acompanhamento instrumental, escrita pelo compositor inglês Jonathan Harvey (1939-2012) e estreada há 23 anos, no dia 24 de Dezembro de 1994.




Jonathan Harvey
A guide to Jonathan Harvey's Music / Faber Music / Wikipedia

17/12/2017

Compositores #129: Peter Warlock (1894-1930)

Peter Warlock, nascido Peter Arnold Heseltine, foi um obscuro compositor inglês, e não foi por acaso que aqui usei o termo "obscuro": é que não só Peter Warlock nunca conseguiu ganhar grande notoriedade através das suas composições, como foi desenvolvendo ao longo da vida um interesse crescente por práticas ocultas, como a magia negra.

Nunca tendo conseguido viver exclusivamente das suas composições, foi exercendo várias outras atividades, como crítico musical - bastante ácido, por sinal... -, jornalista e editor. Além de algumas, poucas, obras instrumentais e orquestrais, o género vocal foi aquele a que mais de dedicou, tendo composto cerca de 150 canções.

Peter Warlock faleceu há 87 anos, no dia 17 de Dezembro de 1930, tendo tratado de deixar escrito o seu próprio epitáfio, por sinal bem ilustrativo do tipo de vida que levou:

Here lies Warlock the composer
Who lived next door to Munn the grocer.
He died of drink and copulation,
A sad discredit to the nation.


CD



George Butterworth
Two English Idylls - No.1; No.2. The Banks of Green Willow. A 'Shropshire Lad' Rhapsody.
Peter Warlock
An Old Song.
Henry Kimball Hadley
One Morning in Spring.
Herbert Howells
Procession. Merry-Eye. Elegy. Music for a Prince.
London Philharmonic Orchestra
New Philharmonia Orchestra
Adrian Boult
Lyrita SRCD245
(1970, 1977, 1979)

Ralph Vaughan Williams
On Wenlock Edge.
Peter Warlock
The Carlew.
Arthur Bliss
Elegiac Sonnet.
James Gilchrist (tenor), Michael Cox (flauta), Gareth Hulse (cor ang), Anna Tilbrook (piano)
Fitzwilliam Quartet
Linn Records CKD296
(2006)

English Song
Ralph Vaughan Williams
The Vagabond. Let Beauty Awake. The Roadside Fire. Youth and Love. In Dreams.
The Infinite Shining Heaven. Wither must I wander.
John Ireland
Sea Fever.
Charles Stanford
Drake's Drum. The Old Superb.
Peter Warlock
Captain Stratton's Fancy.
George Butterworth
Six Songs from 'A Shropshire Lad' - Loveliest of Trees; When I was one and twenty;
Look not in my eyes; Think no more, lad.
Ernest John Moeran
Three Songs from 'Ludlow Town' - When smoke stood up from Ludlow;
Say, lad, have you things to do?; Farewell to barn and stack and trees.
Henry Purcell
Man is for the woman made. Music for a while. 'twas withinf a furlong of Edinburgh Town.
John Shirley-Quirk (baixo-barítono), Martin Isepp (cravo, piano),
Ambrose Gauntlett (viola da gamba), Nona Liddell, Ivor McMahon (violinos),
Eric Parkin (piano)
Heritage HTGCD283/4


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Peter Warlock
The Peter Warlock Society / Boosey and Hawkes / Wikipedia

10/12/2017

Sopranos #27: Lisa Della Casa (1919-2012)

Hugo von Hofmannsthal (1874-1929) foi, entre outras coisas, romancista, poeta, ensaísta e dramaturgo. Foi também libretista, campo onde se salientaram naturalmente as suas colaborações com o compositor alemão Richard Strauss (1864-1949), que se estenderam por 6 óperas. O último libreto que von Hofmannsthal preparou foi para a ópera Arabella, estreada em Dresden, Alemanha, no dia 1 de Julho de 1933.

Em 1947 a soprano suíça Lisa Della Casa esteve presente no Festival de Salzburgo, interpretando Zdenka, irmã de Arabella, um papel onde se tinha salientado no ano anterior, em Zurique. A assistir à estreia em Salzburgo esteve o próprio Richard Strauss, que não se inibiu de afirmar, no final da récita, que tinha a certeza de que não tardaria muito até que Della Casa assumisse o papel de Arabella. Tal veio a acontecer em Munique, em 1951. Com o tempo Della Casa revelar-se-ia uma das melhores intérpretes de Strauss, com Arabella no topo da lista.

Della Casa faleceu há 5 anos, no dia 10 de Dezembro de 2012.


CDs



Richard Strauss
Arabella. Four Last Songs.
Lisa della Casa, Anneliese Rothenberger, Eta Köhrer, Kerstin Meyer (sopranos),
Dietrich Fischer-Dieskau, George Stern (barítonos), Otto Edelmann, Karl Weber (baixos),
Kurt Ruesche, Wilhelm Lenninger (tenores)
Vienna State Opera Chorus
Vienna Philharmonic Orchestra
Joseph Keilberth, Karl Böhm
Orfeo d'Or C651 053D
(1958)

Richard Strauss
Arabella
Lisa Della Casa, Elfride Trötschel, Käthe Nentwig (sopranos), Hermann Uhde,
K. Hoppe (barítonos), Max Proebstl, A. Peter (baixos), Ira Malaniuk (meio-soprano),
Lorenz Fehenberger, F. Klarwein (tenores)
Bavarian State Opera Chorus
Bavarian State Opera Orchestra
Rudolf Kempe
Testament SBT2 1367
(1953)


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Lisa Della Casa
The Guardian / The New York Times / Independent / Wikipedia

03/12/2017

Quartetos de Cordas #16: Quarteto de Cordas Nº2, de Johannes Brahms

O compositor alemão Johannes Brahms (1833-1897) considerava o quarteto de cordas como uma das formas mais importantes de expressão musical, que já tinha atingido patamares de excelência através de Joseph Haydn (1732-1809), Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) e Ludwig van Beethoven (1770-1827). Em termos de output Haydn liderava destacado, com 68 quartetos no curriculum, seguido de Mozart com 23 e Beethoven com 16. Pois Brahms ficou-se pelos 3, não porque apenas os tenha composto em número tão reduzido, mas pelo facto de, insatisfeito com os resultados das primeiras incursões no género, ter mandado para o balde do lixo os primeiros que compôs. E não terão sido assim tão poucos como isso: no mínimo 12, muito boa gente acha que 20 estará mais perto da realidade.

Pensa-se que Brahms terá iniciado a escrita do quarteto de cordas nº2 simultaneamente com a do nº1, entre 1865 e 1866. Outros, contudo, atribuem-lhe 1873 como a data da sua composição, considerando que só após ter terminado o primeiro quarteto, num processo que se estendeu por cerca de 8 anos, é que Brahms se virou para o segundo.

A estreia do Quarteto de Cordas Nº2 de Johannes Brahms ocorreu no dia 3 de Dezembro de 1875, passam hoje 142 anos.


CDs




Johannes Brahms
String Quartets - No.1 in C minor, Op.51 No.1; No.2 in E minor, Op.51 No.2;
No.3 in B flat, Op.67. Piano Quintet in F minor, Op.34.
Christoph Eschenbach (piano), Cecil Aronowitz (viola), Karl Leister (clarinete),
Georg Donderer, William Pleeth (violoncelos)
Amadeus Quartet
Deutsche Grammophon 474 358-2

Johannes Brahms
Piano Quintet in F minor, Op.34. String Quartet No.2 in A minor, Op.51 No.2.
Stephen Hough (piano)
Takács Quartet
Hyperion CDA67551
(2007)

Johannes Brahms
'Viola II'
Clarinet Quintet, Op.115 (arr. viola). String Quintet No.2, Op.111.
Zwei Lieder, Op.91.
Maxim Rysanov (viola), Alice Coote (meio-soprano), Alexander Sitkovetsky,
Mariana Osipova, Boris Brovtsyn (violinos), Julia Deyneka (viola),
Kristine Blaumane (violoncelo), Ashley Wass (piano)
Onyx ONYX4054

Johannes Brahms
Clarinet Quintet in B minor, Op.115. String Quartet No.2 in A minor, Op.51 No.2.
Sharon Kam (clarinete)
Jerusalem Quartet
Harmonia Mundi HMC90 2152
(2012)

Johannes Brahms
String Quartet No.2 in A minor, Op.51 No.2. Clarinet Quintet in B minor, Op.115.
Michael Collins (clarinete)
Brodsky Quartet
Chandos CHAN10817
(2013)


SACD



Johannes Brahms
Piano Quartet No.1 in G minor, Op.25. Piano Quartet No.3 in C minor, Op.60.
Piano Quartet No.2 in A, Op.26.
Walter Trampler (viola)
Beaux Arts Trio
Pentatone PTC5186 151


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Johannes Brahms
Biography / Casa da Música / Wikipedia

26/11/2017

Barítonos #5: Dmitri Hvorostovsky (1962-2017)


Esta semana que agora finda deixou o mundo da música muito mais pobre, com o desaparecimento de um dos seus expoentes, o barítono russo Dmitri Hvorostovsky.






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Official website / the guardian / The New York Times / Wikipedia

19/11/2017

Divagações #1: Song to the Siren

A primeira vez que ouvi "Song to the Siren" não foi na sua versão original, mas na lançada pelo grupo This Mortal Coil em Setembro de 1983, versão esta que teve um êxito assinável um pouco por todo o lado, incluindo Portugal, neste caso com a contribuição inestimável de António Sérgio (1950-2009), um extraordinário locutor de rádio prematuramente desaparecido e mais rápida e injustamente esquecido.

O autor desta canção foi o norte-americano Tim Buckley (1947-1975), tendo-a escrito em 1967 mas apenas registado em disco 3 anos depois. Tim Buckley faleceu muito novo, por overdose de heroína quando contava apenas 28 anos de idade. Uma tragédia que se repetiu na família poucos anos depois, quando o seu filho Jeff Buckley (1966-1997), igualmente músico, morreu afogado no rio Mississipi, não tendo chegado a completar 31 anos de vida.

Song to the Siren tem tido várias e fantásticas versões ao longo do tempo, as que incluo aqui são aquelas que mais aprecio.

Long afloat on shipless oceans
I did all my best to smile
'Til your singing eyes and fingers
Drew me loving to your isle
And you sang
Sail to me
Sail to me
Let me enfold you
Here I am
Here I am
Waiting to hold you
Did I dream you dreamed about me?
Were you here when I was forced out
Now my foolish boat is leaning
Broken lovelorn on your rocks
For you sing, "Touch me not, touch me not, come back tomorrow
Oh my heart, Oh my heart shies from the sorrow"
Well I'm as puzzled as the newborn child
I'm as riddled as the tide
Should I stand amid the breakers?
Or should I lie with death, my bride?
Hear me sing, "Swim to me, swim to me, let me enfold you
Here I am, here I am, waiting to hold you"



12/11/2017

Poemas Sinfónicos #8: In the Steppes of Central Asia, de Alexander Borodin

Um dos objectivos do czar Alexandre II (1818-1881) foi o de aumentar o território russo, expandindo-o para a Sibéria e para o Cáucaso, território russo que tinha anteriormente mingado quando vendeu o Alasca aos Estados Unidos. Em 1880, ano em que se assinalariam os 25 anos do reinado do imperador, foi lançada a ideia de organizar um festival para celebrar condignamente os feitos de Alexandre II. Para o efeito foram contactados 12 compositores russos para comporem a música para as várias cenas dos dramas que seriam apresentados, só que bem antes do festival começar já os dois produtores responsáveis (??) tinham desaparecido.

Aparentemente dos 12 compositores apenas um, Alexander Borodin (1833-1887), acabou por aparecer com uma obra, o poema sinfónico In the Steppes of Central Asia que, mesmo sem festival algum, acabaria por ser estreada passado pouco tempo, no dia 20 de Abril de 1880. Curioso é o facto de o único compositor a chegar-se à frente ter sido aquele que menos se dedicava à composição: apesar de pertencer ao afamado grupo de compositores russos "Os Cinco", Borodin era, antes de mais, médico e químico, dedicando-se à composição apenas nos tempos livres.

Alexander Borodin nasceu há 184 anos, no dia 12 de Novembro de 1833.


CDs



Alexander Borodin
Symphony No.2 in B minor. In the Steppes of Central Asia.
Prince Igor - Overture; Polovtsian Dances.
Royal Philharmonic Orchestra
Ole Schmidt
Regis Records RRC1215

Alexander Borodin
Symphonies - No.1 in E flat; No.2 in B minor. In the steppes of Central Asia.
Royal Philharmonic Orchestra
Vladimir Ashkenazy
Decca 436 651-2

Mili Balakirev
Islamey (arr. Lyapunov).
Alexander Borodin
In the Steppes of Central Asia.
Nikolai Rimsky-Korsakov
Scheherazade, op.35.
Kirov Orchestra
Valery Gergiev
Philips 470 840-2


Internet



Alexander Borodin
Classical Net / Casa da Música / Wikipedia


05/11/2017

Pianistas #52: Vladimir Horowitz (1903-1989)

Os dotes pianísticos de Vladimir Horowitz ficaram evidentes desde muito cedo, ao ponto de, quando tinha apenas 10 anos de idade, ter sido apresentado ao compositor e pianista Alexander Scriabin (1871-1915), que reconheceu de imediato estar perante um grande talento.

Depois de ter passado os primeiros anos da década de 1920 em digressão pela Rússia, Horowitz decidiu experimentar outros ares e, em Dezembro de 1925, rumou ao Ocidente, com paragens em Berlim, Paris e Londres, até assentar arraiais em Nova Iorque.

A estreia em solo americano deu-se no Carnegie Hall, em Nova Iorque, no dia 12 de Janeiro de 1928. A acompanhar Horowitz no Concerto para Piano Nº1 de Piotr Ilyich Tchaikovsky (1840-1893) esteve a Orquestra Filarmónica de Nova Iorque, sob a direcção de Thomas Beecham (1879-1961). Apesar das divergências entre pianista e maestro, o concerto registou um sucesso estrondoso, tendo ficado evidente a extraordinária empatia que o pianista conseguia estabelecer com a audiência.

Vladimir Horowitz faleceu há 28 anos, no dia 5 de Novembro de 1989.


CD



'Vladimir Horowitz Live at Carnegie Hall'.
incl. Piotr Ilyich Tchaikovsky
Piano Concerto No.1 in B flat minor, Op.23.
Vladimir Horowitz (piano), Mstislav Rostropovich (violoncelo),
Yehudi Menuhin, Isaac Stern (violinos)
NBC Symphony Orchestra, Arturo Toscanini
New York Philharmonic Orchestra, Leonard Bernstein, Eugene Ormandy
Oratorio Society of New York, Lyndon Woodside
RCA 88765 48417-2


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Vladimir Horowitz
The New York Times / Biography.com / Bach Cantatas Website / Wikipedia

29/10/2017

Guitarristas #2: Roland Dyens (1955-2016)

Apesar de ter nascido na Tunísia, o guitarrista, compositor e arranjador Roland Dyens viveu quase sempre em Paris, cidade onde também foi professor no respetivo Conservatório. Falecido (precocemente) faz hoje um ano, nunca foi aquilo a que se pode chamar um guitarrista clássico convencional, como bem atestam as suas sessões de improvisação e as frequentes incursões nos domínios do jazz.

Robert Bouchet (1898-1986) foi um pintor com um gosto especial por tocar guitarra e, terá porventura pensado, por que não construir as suas próprias guitarras? Como este não era o seu principal negócio, poucas guitarras construiu, apenas um total de 156, e menos vendeu, dado ter ficado com uma boa parte delas. A guitarra que Roland Dyens toca em todos os vídeos abaixo incluídos é uma das feitas por Bouchet, mas não é uma qualquer: foi a segunda que fez e a primeira que vendeu.


CD



Joaquin Rodrigo
Concierto de Aranjuez.
Roland Dyens
Concerto Métis. Tango en skaï.
Roland Dyens (guitarra)
Serenata Orchestra
Alexandre Siranossian
L'Empreinte Digitale ED13191


Internet



Roland Dyens
Roland Dyens / Classical Guitar / Wikipedia

22/10/2017

Compositores #128: Louis Spohr (1784-1859)

Louis Spohr foi um compositor contemporâneo do seu compatriota alemão Ludwig van Beethoven (1770-1827), e chegaram mesmo a tocar juntos em casa de Beethoven, quando este dava os últimos retoques no seu Trio para Piano, Op.70 No.1, constando que Spohr não terá ficado demasiadamente deslumbrado com essa obra...

Compositor prolífico, com perto de 300 obras conhecidas das quais cerca de 150 com número opus, foi para o violino, o seu instrumento de formação, que mais compôs, destacando-se os 18 concertos que escreveu para esse instrumento. Compôs também 4 concertos para clarinete, um instrumento para onde temos estado virados nos últimos tempos e que hoje aqui regressa. O primeiro desses foi escrito no Outono de 1808 e estreado no dia 16 de Junho do ano seguinte, com o compositor a dirigir a orquestra e com Johann Simon Hermstedt (1778-1846) no clarinete. Hermstedt que foi o dedicatário de todos os concertos para clarinete de Spohr.

Note-se, por curiosidade que, num vídeo exibido mais abaixo onde concerto é interpretado pelo clarinetista Aron Chiesa, a Orquestra Filarmónica de Bruxelas é dirigida pelo clarinetista e maestro português António Saiote (1960-)

Louis Spohr faleceu no dia 22 de Outubro de 1859, passam hoje 158 anos.


CD



'Louis Spohr: The Forgotten Master'.
Louis Spohr
Clarinet Concertos - No.1 in C minor, Op.26; No.2 in E flat major, Op.57;
No.3 in F minor, WoO19; No.4 in E minor, WoO20.
Paul Meyer (clarinete)
Lausanne Chamber Orchestra
Paul Meyer
Alpha ALPHA605
(2012)


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Louis Spohr
allmusic / naxos / Wikipedia

15/10/2017

Quartetos de Cordas #15: Quarteto de Cordas Nº3, de Conlon Nancarrow

Um dos grandes objectivos daqueles que são atualmente responsáveis (?!) pelos destinos dos Estados Unidos consiste em construir um muro na fronteira entre aquele país e o México, que impeça os mexicanos de a atravessarem ilegalmente na procura de uma vida melhor. Não sei se com tal obra se procura obter igualmente o efeito inverso, impedindo os americanos de se mudarem para o vizinho do sul. Se calhar nunca tal lhes passou pela cabeça, que alguém algum dia se lembrasse de trocar os Estados Unidos pelo México, mas foi isso precisamente o que fez o compositor Conlon Nancarrow (1912-1997). Fê-lo há muito tempo, em 1940, e por razões bastante particulares, relacionadas com a sua filiação partidária e a participação na Guerra Civil espanhola, mas fê-lo, ao ponto de ter inclusivamente assumido a cidadania mexicana em 1956.

A obra de Nancarrow que aqui trago hoje, o seu Quarteto de Cordas Nº3, é uma obra tardia, escrita em 1987 e estreada no dia 15 de Outubro do ano seguinte, passam hoje, portanto, 29 anos.


CD



Conlon Nancarrow
String Quartets - No.1; No.3, 'Canon 3/4/5/6'. Studies for Player Piano - No.15 (arr. Mikhasoff);
No.31 (arr. Usher); No.33; No.34.
Conlon Nancarrow (piano)
Arditti Quartet
Wergo WER6696-2


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Conlon Nancarrow
Conlon Nancarrow / Conlon Nancarrow / Wikipedia

07/10/2017

Trompetistas #1: Alison Balsom (1978-)

Só nos inícios do século XIX é que o trompete ganhou válvulas e, com elas, a possibilidade de produzir uma gama mais alargada de sons. Tal não era possível com o seu antecessor, o trompete natural, que, por via disso, ficou quase sempre limitado a um papel de suporte na orquestra. Por volta de 1795 um trompetista da Corte de Viena, Anton Weidinger (1767-1852) introduziu algumas melhorias no trompete natural que, se não foram suficientes para que este chegasse aos calcanhares do trompete de válvulas, pelo menos chegaram para convencer o compositor austríaco Joseph Haydn (1732-1809) a aceitar escrever um concerto para esse instrumento.

Composto em 1796, Weidinger iria estreá-lo apenas em 1800, no dia 22 de Março. Apesar de hoje em dia ser, possivelmente, o concerto mais popular de Haydn, só em 1929, mais de 100 anos depois da estreia, é que viria a ser novamente tocado... Um dos seus mais destacados intérpretes da atualidade é a inglesa Alison Balsom, que hoje festeja o seu 39º aniversário, e de que deixo mais abaixo uma gravação vídeo efetuada durante os Concertos Promenade de 2009.


CD



Joseph Haydn
Trumpet Concerto in E flat major, HobVIIe/1.
Johann Nepomuk Hummel
Trumpet Concerto in E flat major, S49/WoO1.
Johann Neruda
Trumpet Concerto in E flat major.
Giuseppe Torelli
Trumpet Concerto in D major, 'Estienne Roger'.
Alison Balsom (trompete)
Deutsche Kammerphilharmonie, Bremen
Alison Balsom
EMI 2 16213-0


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Alison Balsom
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