16/12/2004

Compositores #15: Antonín Dvorák (1841-1904)

Assinala-se este ano o centenário da morte do compositor checo Antonín Dvorák, ocorrida no dia 1 de Maio de 1904. Em Maio este blogue ainda não existia, pelo que escolhi para este postal o dia da estreia daquela que é a sua obra mais conhecida, a Sinfonia nº9 "Do Novo Mundo", ocorrida a 16 de Dezembro de 1893.


Antonín Dvorák

Dvorák fez os estudos musicais em Praga, cidade onde viria a tocar viola na Orquestra do Teatro Provisório. Orquestra esta que a partir de 1866 passou a ser regida por outro bem conhecido compositor, Bedrich Smetana (1824-1884). Nos seus primeiros tempos como compositor teve um aliado de peso em Johannes Brahms (1833-1897), que muito ajudou na publicação das suas obras.

Doutor honoris causa pela Universidade de Cambridge, começou a ensinar no Conservatório de Praga em 1891. Entre 1892 e 1895 foi director do Conservatório Nacional de Nova Iorque. Além da do seu amigo íntimo Brahms, a obra de Dvorák revela óbvias influências dos grandes compositores clássicos, como Haydn, Mozart, Beethoven e Schubert. Não escapou igualmente à influência de Wagner, notada, por exemplo, em alguns dos poemas sinfónicos e, a espaços, na 3ª sinfonia. Muitas das suas obras revelam ainda fortes influências da música folclórica checa.


Sinfonia Nº9

Dvorák tinha um fascínio particular pela ópera, mas nunca chegou a atingir consistentemente nesse género o mesmo nível que atingiu na música instrumental. Rusalka foi a excepção, tendo tido um sucesso estrondoso na época e sendo ainda hoje a sua ópera de maior sucesso. Tem, aliás, uma das minhas áreas favoritas de todo o repertório operático, aquela em que Rusalka, numa noite de Verão, canta para a lua, cujos raios iluminam a paisagem:

O moon in the velvet heavens,
your light shines far,
you roam throughout the whole world,
gazing into human dwellings.

Renée Fleming a cantar esta área (em checo) é absolutamente divinal, interpretação essa que felizmente ficou registada em disco, numa edição da Decca.




A atribuição da numeração e dos números opus às sinfonias de Dvorák não se revelou tarefa fácil. Em primeiro lugar, as primeiras quatro não apareceram inicialmente nas listas, tal tendo acontecido apenas às últimas cinco. Depois, o próprio compositor complicou as coisas, ao numerar inicialmente a sua 9ª sinfonia como , decisão aparentemente ligada à tentativa de fugir à maldição da 9ª sinfonia. Está visto que foi manobra infrutífera, não viveu o suficiente para escrever uma 10ª... O mesmo aconteceu, por exemplo, a Beethoven, Bruckner e Mahler.


CDs




Symphonies Nos.1, 2 & 3.
Berlin Staatskapelle
Otmar Suitner
Berlin Classics 0092 822BC

Symphony No.7.
London Symphony Orchestra
Colin Davis
LSO Live LSO00014

Symphonies Nos.8 & 9.
Budapest Festival Orchestra
Ivan Fischer
Philips 464 640-2

Cello Concerto.
Mstislav Rostropovich
London Philharmonic Orchestra
Carlo Maria Giulini
EMI GROC 5 67593-2

Piano Concerto. The Golden Spinning-Wheel.
Pierre-Laurent Aimard
Royal Concertgebouw Orchestra, Amsterdam
Nikolaus Harnoncourt
Teldec 8573-87630-2

Violin Concerto.
Maxim Vengerov
New York Philharmonic Orchestra
Kurt Masur
Teldec 4509 96300-2

String Sextet.
Sarah Chang, Bernhard Hartog (violinos), Wolfram Christ, Tanjia Christ (violas),
Georg Faust, Olaf Maninger (violoncelos)
EMI CDC 5 57243-2

Rusalka.
Renée Fleming, Ben Heppner, Franz Hawlata, Eva Urbanová, Ivan Kusnjer,
Zdena Kloubová, Lívia Ághová, Dana Buresová, Hana Minutillo, Ivan Kusnjer
The Kühn Mixed Choir
Czech Philharmonic Orchestra
Charles Mackerras
Decca 460 568-2

Internet

http://dvorak.musicabona.com/

http://library.thinkquest.org/22673/dvorak.html?tqskip1=1

http://www.rusalkasvoice.com/index.php